Anemia

Os glóbulos vermelhos ou hemácias são pequenas células responsáveis pelo transporte de oxigênio em todo o corpo. Eles absorvem oxigênio enquanto circulam pelos pulmões e os distribuem aos outros órgãos do corpo (músculos, cérebro, fígado, intestino etc.). O oxigênio é essencial para todas as células do corpo!

Os glóbulos vermelhos ou hemácias são pequenas células responsáveis pelo transporte de oxigênio em todo o corpo. Eles absorvem oxigênio enquanto circulam pelos pulmões e os distribuem aos outros órgãos do corpo (músculos, cérebro, fígado, intestino e etc.). O oxigênio é essencial para todas as células do corpo!

Para transportar o oxigênio, os hemácias são preenchidas com uma substância vermelha que lhes dá sua cor: a hemoglobina.

A anemia é a redução do número de glóbulos vermelhos no sangue. Em geral é detectada por meio de exame sanguíneo, que revela uma diminuição na contagem de hemácias, na concentração de hemoglobina ou de hematócritos (também chamado de volume de células concentradas, que é o volume ocupado pelos glóbulos vermelhos no sangue). Esses três valores, por serem estreitamente relacionados, na maioria das vezes estão todos diminuídos.

O primeiro sinal detectável em caso de anemia moderada é desempenho insatisfatório. Em caso de anemia severa, as mucosas (principalmente na boca do cavalo) podem parecer mais pálidas do que o normal, além do animal estar menos disposto, com queda energética e com baixa resistência física que o habitual e mais rapidamente sem fôlego. Se a frequência cardíaca for monitorada, um aumento anormal da frequência cardíaca durante os exercícios pode ser notado.

Observação: Os cavalos têm uma particularidade que é uma reserva de hemácias no baço, que são liberadas em caso de esforço ou estresse. Isso multiplica por dois o número de hemácias e, portanto, a capacidade sanguínea para transportar oxigênio aos músculos, permitindo, assim, que o cavalo corra mais rápido e escape dos predadores (essa é uma vantagem evolucionaria herdada dos seus ancestrais selvagens).

A anemia tem muitas causas. Em geral, nós as classificamos em três tipos:

1/ Perda de hemácias (hemorragia)

2/ Destruição anormal de hemácias (hemólise)

3/ Produção insuficiente de hemácias

Perda de Hemácias

Em casos de lesões graves com grande perda de sangue, a anemia é um resultado lógico. Se a perda de sangue for volumosa e repentina, pode ser necessário fazer a transfusão de sangue de um doador para repor as hemácias (e outros componentes importantes do sangue) perdidos pelo cavalo. Se houver uma perda de sangue limitada, o cavalo compensará gradualmente a perda ao produzir novas hemácias dentro de alguns dias a algumas semanas.

Observação:Um cavalo de 500 kg tem cerca de 45 litros de sangue, e o que pode parecer uma grande perda de sangue para um humano, não é para um cavalo.

Uma causa não traumática de hemorragia severa é micose de bolsa gutural. É uma infecção fúngica que destrói progressivamente a parede da artéria carótida dentro das bolsas guturais e pode levar a uma grande hemorragia quando a parede enfraquecida da carótida é, por fim, rompida pela pressão do sangue. Essa condição pode, às vezes, ser fatal e é por isso que, em caso de sangramento nasal, as bolsas guturais devem sempre ser examinadas por meio de uma endoscopia.

Às vezes, a perda de sangue não é visível. Isso acontece em casos de hemorragia peritonial ou torácica, por exemplo. A colite dorsal direita é uma doença ulcerativa do intestino grosso devido à toxicidade de AINEs. Leva a perda de proteína e, às vezes, de sangue no lúmen do intestino.

Em caso de tumor de estômago (carcinoma), o sangramento crônico pode levar à anemia no longo prazo.

Em caso de parasitismo intestinal severo, uma anemia também pode ocorrer como resultado dos microtraumas causados pelos vermes na mucosa intestinal.

Observação: Ao contrário da crença popular, as úlceras gástricas muito raramente levam à anemia, e somente em casos extremamente graves.

Embora seja rara em cavalos, a intoxicação com veneno de rato que contém antagonistas da vitamina K pode levar a hemorragias múltiplas internas e/ou externas e resultar em anemia. De fato, a vitamina K é necessária para o processo de coagulação, e, sem a vitamina K, o menor trauma pode levar a hemorragia severa, prolongada e possivelmente fatal.

Destruição anormal de hemácias

Além da hemorragia traumática, a causa mais frequente de anemia em cavalos é a destruição anormal de hemácias, que é chamada de hemólise. A hemólise ocorre quando as hemácias ficam debilitadas devido a uma infecção (parasita, bactéria ou vírus) ou quando o sistema imunológico ataca, por engano, as hemácias e as destrói.

Uma causa comum da anemia hemolítica mundialmente difundida é a piroplasmose, ou também conhecida por nutaliose. Isto é devido à infecção das hemácias por um parasita microscópico (Babesia caballi ou Theleria equi) transmitido por carrapatos. O parasita se multiplica nas hemácias e os enfraquece até que se rompam, liberando os parasitas recém formados que infectam outras hemácias.

A erliquiose equina é uma infecção dos glóbulos brancos pela bactéria Anaplasma phagocytophilia, transmitida por carrapatos. O mecanismo pelo qual as hemácias são destruídos ainda não é totalmente compreendido.

A leptospirose é uma infecção bacteriana que pode, em alguns casos, induzir a uma anemia hemolítica. A bactéria é transmitida pela urina de roedores.

A anemia infecciosa equina é uma doença contagiosa severa devido à infecção viral transmitida por mutucas, moscas de estábulo, materiais contaminados com sangue infectado como agulhas, instrumentos cirúrgicos, groza dentária, sonda esofágica, aparadores de cascos, arreios, esporas e outros materiais, além da placenta, colostro e acasalamento . Depois de infectado, o cavalo continua infectado por toda a vida e pode apresentar crises esporádicas de anemia hemolítica. O teste de Coggins é utilizado para diagnosticar essa condição, e os cavalos infectados devem ser declarados, porque eles são reservatórios do vírus para mutucas, que se contaminam e infectam outros cavalos nas redondezas.

Por fim, a doença de Lyme (infecção por Borrelia burgdorferi) parece estar envolvida em alguns casos de anemia em cavalos, contudo, os modos de ação desta bactéria continuam desconhecidos.

 

Essas cinco doenças (piroplasmose, erliquiose equina, leptospirose, doença de Lyme e anemia infecciosa equina) podem manifestar sinais muito semelhantes de febre, depressão, icterícia e anemia em sua forma aguda. Por essa razão, esses sintomas são referenciados como "semelhantes à febre". Em sua forma mais crônica, essas doenças podem levar somente a anemia subclínica moderada (com poucos ou nenhum sinal clínico). Eles são, portanto, muitas vezes testados com exames de sangue, em casos de anemia sem causa aparente.

Por fim, o sistema imunológico, às vezes, ataca erroneamente as hemácias e as destrói: esta é a anemia hemolítica autoimune. A administração de alguns produtos como penicilina ou sulfa trimetoprima, pode, em alguns casos raros, desencadear essa reação. Uma anemia hemolítica autoimune também pode ocorrer como complicação em algumas infecções bacterianas ou processos tumorais.

Produção inadequada de hemácias

A síntese de hemácias ocorre na medula óssea e precisa de vários elementos, incluindo ferro, cobre, vitamina B12 e ácido fólico. Se um desses elementos estiver ausente ou deficiente, a síntese de hemácias diminui e isso pode levar à anemia.

Com mais frequência, em caso de infecção crônica (abscesso, pneumonia etc.), ocorre anemia moderada. É devido ao mecanismo de proteção do sistema imunológico: uma vez que as bactérias precisam de ferro para se multiplicar, o sistema imunológico retém o ferro para diminuir o desenvolvimento da infecção. Contudo, o ferro também é necessário para a produção de hemácias, então, também é diminuído.

Mais raramente, em casos de insuficiência renal crônica, ocorre anemia, resultado da menor produção de eritropoietina (EPO) devido aos rins doentes e à eliminação insuficiente de resíduo corporal tóxico pelos rins. Esses resíduos se acumulam na corrente sanguínea e enfraquecem as hemácias.

Por fim, em casos extremamente raros de anemia aplástica, a medula óssea pode ser deficiente na produção de hemácias.

A anemia em cavalos pode, portanto, ter várias causas. Algumas são óbvias (hemorragias), mas algumas são de diagnóstico muito mais difícil e precisam de procedimentos de diagnóstico e/ou exames laboratoriais. Suplementos vitamínicos e de ferro somente serão eficientes se o cavalo estiver deficiente ou se houve perde de muitas hemácias (hemorragia, piroplasmose) e precisar de reposição dos estoques. Pelo contrário, se a anemia for secundária a uma infecção crônica, a suplementação não terá efeito benéfico e pode até mesmo ser prejudicial se for muito significativa ou prolongada.

Autor : DAUVILLIER Julie, Veterinária.

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